Trump viaja a Flórida e Geórgia em tentativa de minar avanço de Biden

(Foto: Reuters)

WASHINGTON – Em busca de um segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja para a Flórida, um estado-chave, e para a Geórgia, um antigo reduto republicano que, segundo as pesquisas, poderia ser conquistado pelo candidato democrata Joe Biden.

Por quase três décadas, nenhum candidato presidencial da ala democrata venceu na Geórgia, e Trump derrotou Hillary Clinton neste estado por 5,1 pontos em 2016.

Biden, contudo, mostra uma vantagem de 1,2 ponto na Geórgia, de acordo com uma média de pesquisas recentes do site político RealClearPolitics, enquanto uma pesquisa da Universidade Quinnipiac mostra o democrata sete pontos à frente.

A viagem presidencial durante a reta final da campanha é de extrema importância e os candidatos tendem a se concentrar nos estados indecisos, onde os votos do Colégio Eleitoral abundam.

Tanto Biden quanto Trump fizeram várias viagens à Flórida. O presidente realizará dois comícios nesta sexta-feira no estado.

A Geórgia é um dos estados do sul que os republicanos veem como garantido e crucial para Trump garantir a vitória nas eleições de 3 de novembro, mas nos últimos anos essa região tem se inclinado para o lado democrata.

“As luzes de advertência estão piscando em vermelho (para Trump) e os alarmes estão disparando no estado”, disse o analista de pesquisas da Universidade Quinnipiac, Tim Malloy.

Na pesquisa de Quinnipiac sobre as tendências de votação na Geórgia – onde o democrata Bill Clinton venceu em 1992 – 54% disseram desaprovar a forma como Trump lidou com a pandemia do coronavírus.

A visita do presidente à Geórgia é sua segunda viagem nesta semana a um estado que venceu com facilidade em 2016, mas desta vez ele terá que lutar.

Na quarta-feira, Trump realizou um comício de campanha em Iowa, um estado do meio-oeste que também venceu confortavelmente em 2016, por 9,4 pontos, mas que agora parece estar em jogo.

Biden tem uma vantagem de 1,2 ponto sobre Trump neste estado, de acordo com uma média de pesquisa da RealClearPolitics, um número idêntico ao da Geórgia.

– “Tsunami azul” –

Enquanto Trump visita a Flórida e a Geórgia, Biden vai passar o dia em Michigan, um estado do norte que o republicano venceu por pouco em 2016, mas onde as pesquisas mostram que ele está ficando para trás.

Espera-se que Biden fale sobre o acesso à saúde e participe de uma reunião de líderes religiosos da comunidade afro-americana.

Biden tem uma vantagem de dois dígitos nas pesquisas nacionais, mas Trump a menosprezou em um tuíte na manhã desta sexta-feira.

“Os números das pesquisas parecem muito fortes. Grande multidão, grande entusiasmo. Onda vermelha enorme a caminho”, escreveu o presidente na rede social, referindo-se à cor do partido republicano.

No entanto, o otimismo de Trump não é compartilhado por alguns membros proeminentes de seu partido, como o senador Ben Sasse de Nebraska, que se juntou aos senadores republicanos Lindsey Graham ,da Carolina do Sul, e Ted Cruz, do Texas, para expressar sua preocupação.

Em um telefonema com eleitores nesta semana, ao qual o jornal The Washington Examiner teve acesso, Sasse disse que uma derrota de Trump parece “provável” e que os republicanos podem perder o Senado também.

“Estamos enfrentando um tsunami azul”, disse ele, referindo-se à cor do Partido Democrata.

Sasse falou palavras duras sobre Trump, chamando-o de “obcecado pela televisão” e “narcisista”.

“Os EUA agora traem regularmente nossos aliados sob sua liderança, da maneira como trata as mulheres, gasta como um marinheiro bêbado”, disse o senador por Nebraska.

“Ele zomba dos evangélicos a portas fechadas. Sua família tratou a presidência como uma oportunidade de negócios. Ele flertou com os supremacistas brancos”, acrescentou.

Sasse também criticou a maneira como Trump lidou com a pandemia de covid-19, que deixou mais de 217.000 mortos nos Estados Unidos.

Trump e Biden realizarão um debate final em 22 de outubro.

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