Toque de recolher é adotado em quase todas as cidades do país

(Foto: AFP)

WASHINGTON – Toques de recolher foram ordenados em diversas cidades pelos Estados Unidos na tentativa de conter a revolta provocada pela morte de um homem negro sob custódia policial. As ordens, no entanto, foram desafiadas e, em alguns locais, houve lojas saqueadas, carros queimados e prédios atacados.

Tropas de choque estão usando gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de conter os protestos.

O presidente Donald Trump pediu “cura” pela morte de George Floyd, mas disse que não permitirá que as multidões dominem as ruas.

O acusado de assassinar Floyd, que tinha 46 anos, é um ex-policial branco de Minneapolis. Derek Chauvin, de 44 anos, deve comparecer a um tribunal na segunda-feira.

Em um vídeo, Chauvin pode ser visto pressionando o pescoço de Floyd com o joelho por vários minutos. Floyd diz repetidamente que não consegue respirar.

Outros três policiais que acompanharam a cena também foram demitidos.

O caso Floyd reacendeu a revolta nos EUA contra assassinatos cometidos policiais contra negros. A morte acontece após episódios que tiveram visibilidade em todo o mundo, como as mortes de Michael Brown em Ferguson, Eric Garner em Nova York e outros casos – que impulsionaram a criação do movimento Black Lives Matter.

Para muitos, os protestos também refletem anos de frustração com a desigualdade e a segregação social e econômica, principalmente em Minneapolis.

Últimas notícias sobre os protestos

Grandes manifestações foram registradas em pelo menos 30 cidades nos EUA neste fim de semana. Inicialmente pacíficos, os atos escalaram para episódios de violência.

Uma das cidades mais afetadas é Los Angeles. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, declarou estado de emergência na cidade e acionou a Guarda Nacional – força militar de reserva que pode ser convocada para intervir em emergências domésticas.

Lojas foram destruídas em Los Angeles durante manifestações no fim de semana (Foto: AP)

A cidade inteira está sob um toque de recolher das 20h às 5h30. Diversas lojas foram saqueadas, inclusive nas famosas avenidas Melrose e Fairfax. Imagens aéreas mostravam incêndios em alguns lugares.

A polícia disparou balas de borracha e golpeou manifestantes com cassetetes. Centenas de pessoas foram presas.

“(Este foi) o momento mais pesado que já experimentei” desde os distúrbios de 1992, provocados pela absolvição da polícia pelo espancamento de Rodney King, afirmou o prefeito de LA, Eric Garcetti.

São Francisco também impôs toque de recolher, anunciado pelo prefeito London Breed após saques e violência.

Em Nova York, um vídeo mostrou um carro da polícia avançando sobre uma multidão de manifestantes. O prefeito Bill de Blasio disse que a situação não partiu dos policiais.

A parlamentar Alexandria Ocasio-Cortez classificou os comentários do prefeito como inaceitáveis e que ele não deveria usar desculpas  defender os policiais.

A prefeita de Chicago Lori Lightfoot impôs um toque de recolher das 21h às 6h até novo aviso, dizendo que estava “enojada” com a violência. “Vi manifestantes atirarem projéteis em nossa delegacia de polícia… Garrafas de água, urina e Deus sabe o que mais”, afirmou.

Em Atlanta, manifestantes permaneceram nas ruas após o início do toque de recolher, danificando propriedades e veículos. Dezenas pessoas foram presas.

Em Boston, uma caminhada pacífica reuniu milhares de pessoas até às 21 horas quando romperam atos de violência. O centro da capital de Massachusetts foi depredado e a Guarda Nacional foi acionada às 23 para tentar conter a confusão.

O prefeito Martin Walsh disse que sempre vai ser uma voz para as minorias, mas está “bravo” com os vândalos que se infiltraram entre os manifestantes para destruir a cidade. “Não vamos permitir”.

Manifestantes durante ato pacífico em Boston de mãos para cima gritavam “não atirem” para simbolizar a violência policial (Foto: AFP)

Em Orlando, o Condado de Orange determinou toque de recolher das 10 da noite às 5 da manhã sem data prevista para acabar. A medida de precaução foi tomada após intensos ataques na noite de sábado a lojas na região do shopping mais elegante da cidade, o Mall at Millenia.

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O xerife do Condado de Orange, John Mina, e o chefe da Polícia de Orlando, Orlando Rolon, se ajoalharam para conversar com manifestantes em frente à delegacia (Foto: Divulgação Twitter)

Minneapolis, onde George Floyd morreu, registrou menos episódios violentos durante a noite. Cerca de 700 oficiais da Guarda Nacional estão trabalhando com a polícia e agiram rapidamente para fazer valer o toque de recolher imposto na cidade.

Um memorial foi montato na intersecção entre a 3th Street e a Chicago Avenue, onde George Floyd foi assassinado em Minneapolis (Foto: AP)

Pelo terceiro dia consecutivo, uma multidão de manifestantes provocou oficiais da Guarda Nacional do lado de fora da Casa Branca, em Washington, capital norte-americana, que decretou toque de recolher entre 23 horas de domingo e 6 horas da segunda-feira.

Segundo o  jornal The New York Times,  o presidente Donald Trump teria sido levado para um bunker na Casa Branca na última sexta-feira (29) em virtude dos protestos próximo à residência oficial. A decisão foi do Serviço Secreto por conta da quantidade de manifestantes próximos à Casa Branca.

Em Indianapolis protestos pacíficos registrados durante o dia também terminaram em violência. Pelo menos uma pessoa morreu baleada. A polícia disse que nenhum policial fez tiros.

Na Filadélfia, onde também há toque de recolher, 13 policiais ficaram feridos e pelo menos 35 pessoas foram presas enquanto lojas eram saqueadas, carros da polícia eram incendiados e edifícios eram destruídos.

O toque de recolher também foi declarado em Miami, Portland e Louisville, entre outras cidades, embora muitos tenham sido simplesmente ignorados.

 

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