Recurso de José Maria Marin é negado nos Estados Unidos

José Maria Marín em imagem de arquivo durante julgamento em Nova York

NOVA YORK/ RIO DE JANEIRO – Um tribunal americano negou nesta segunda-feira, 22, o recurso apresentado pelas defesas de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e do paraguaio Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol, confirmando as condenações dos ex-dirigentes por envolvimento no escândalo de corrupção na Fifa.

De acordo com o texto, a decisão de não aceitar os recursos foi proferida pelos três juízes do Segundo Circuito de Cortes de Apelações dos Estados Unidos.

Marin havia tido a liberdade concedida em final de março pela juíza federal de Nova York Pamela Chen por motivos humanitários, devido à pandemia de coronavírus e a idade avançada do réu, de 88 anos.

A decisão da juíza Chen diminuiu em oito meses a condenação de Marin, que havia sido sentenciado a quatro anos de prisão.

Já Napout, de 62 anos, preso em dezembro de 2015 e condenado a nove anos de prisão por envolvimento no escândalo do Fifagate, não teve aceito o pedido para aguardar o julgamento do recurso em prisão domiciliar e permaneceu preso.

Em sua argumentação desta segunda-feira, o juiz Robert D. Sack declarou que “os apelantes argumentam principalmente que suas condenações por conspiração para cometer fraude eletrônico se basearam em aplicações extraterritoriais inadmissíveis”.

Contudo, o magistrado garanti que “a prova apresentada ao tribunal foi suficiente para confirmar a convicção do tribunal do distrito”.

Tanto Napout, que presidiu a Conmebol entre 2014 e 2015, quanto Marin, que mandou na CBF entre 2012 e 2014, fazem parte do grupo de dirigentes do futebol presos em 2015 na Suíça a pedido da justiça americana.

O processo, conhecido como Fifagate e que levou à queda do presidente da entidade, Joseph Blatter, revelou um esquema de subornos milionários pagos por empresas de marketing esportivo a dirigentes em troca dos direitos de transmissão e de promoção dos torneios continentais, entre eles a Copa América e a Copa Libertadores.

Diante da justiça americana, Napout se declarou inocente da acusação de ter recebido milhões de dólares em subornos de empresas esportivas em troca de contratos, mas foi considerado culpado por um juri popular dois anos após sua prisão.

Em meio ao escândalo na Fifa, o governo americano acusou 45 pessoas e várias empresas esportivas de mais de 90 crimes e de pagar ou aceitar mais de 200 milhões de dólares em propina.

Dos 45 acusados, cinco já faleceram, 26 se declararam culpados e seis já foram sentenciados.

Ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero também foram denunciados pela justiça americana pelo recebimento de propina. Mas, como o Brasil, por lei, não extradita seus cidadãos, seguem livres.

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