Número de novas infecções por coronavírus diminui na China

Paciente infectado com novo coronavírus sendo tratado em fevereiro em hospital em Wuhan, na província de Hubei (Foto: Reuters)

WUHAN – Mais uma vez, a China registrou queda no número de novos casos de infecção por coronavírus. Nesta quarta-feirta, 12, o país asiático anunciou mais 97 mortes, elevando o total para 1.113. A Comissão Nacional de Saúde disse que 2.015 novos casos foram registrados nas últimas 24 horas, diminuindo pelo segundo dia. O número total de casos na China continental é 44.653.

Apesar do fim oficial do feriado prolongado do Ano Novo Lunar, a China permaneceu fechada principalmente para os negócios, pois muitos ficaram em casa, com cerca de 60 milhões de pessoas em quarentena virtual.

A Organização Mundial de Saúde nomeou a doença causada pelo vírus como COVID-19, evitando qualquer designação animal ou geográfica para evitar estigmatização e mostrar que a doença provém de um novo coronavírus descoberto em 2019.

A mídia oficial da China informou na terça-feira que as principais autoridades de saúde da província de Hubei, da qual Wuhan é a capital, foram dispensadas de suas funções. Não foram apresentadas razões, embora a resposta inicial da província tenha sido considerada lenta e ineficaz. A especulação de que funcionários de alto escalão poderiam ser demitidos fervilhava, mas isso poderia provocar brigas políticas e ser uma admissão tácita de responsabilidade.

O surto de vírus se tornou o mais recente desafio político para o partido e seu líder, Xi Jinping, que apesar de acumular mais poder político do que qualquer líder chinês desde Mao Zedong, tem se esforçado para lidar com crises em várias frentes. Isso inclui uma economia doméstica em desaceleração acentuada, a guerra comercial com os EUA e um retrocesso nas políticas externas cada vez mais agressivas da China.

Zhong Nanshan, um dos principais epidemiologistas chineses, disse que, embora o surto de vírus na China possa atingir o pico este mês, a situação no centro da crise continua sendo mais desafiadora. “Ainda precisamos de mais tempo trabalhando duro em Wuhan”, disse ele, descrevendo o isolamento de pacientes infectados como uma prioridade. “Temos que impedir que mais pessoas sejam infectadas”, continuou. “O problema da transmissão de humano para humano ainda não foi resolvido”.

O reinício dos negócios representa um risco de disseminação adicional do vírus, mas a China tem pouco recurso, disse Cong Liang, secretário geral da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento econômico do país.

“Sem a reabertura dos negócios, a curto prazo, isso afetará o fornecimento de material médico e… a longo prazo, afetará o fornecimento de todos os tipos de produção e materiais de vida e fará os esforços de controle e prevenção na linha de frente, insustentável. O objetivo de derrotar a epidemia não será atingido”, disse Cong em entrevista coletiva.

Em Hong Kong, as autoridades evacuaram parte de um bloco de apartamentos depois que casos entre seus moradores levantaram suspeitas de que o vírus possa estar se espalhando pelo encanamento do edifício.

Três residentes em um apartamento foram confirmados como portadores do vírus dias depois de um morador que vive 10 andares acima deles.

Durante o surto de SARS em 2002 e 2003, uma doença causada por um vírus relacionado, várias infecções em Hong Kong foram ligadas aos canos de esgoto de um edifício. Hong Kong confirmou 49 casos no atual surto.

Operadoras de correios nos Estados Unidos, China, Cingapura e outros países disseram que a suspensão de voos para diminuir a propagação do vírus estava causando um grande impacto no fluxo global de cartas e encomendas.

O Serviço Postal dos Estados Unidos informou seus colegas de todo o mundo na terça-feira que estava “enfrentando dificuldades significativas” no envio de cartas, encomendas e correio expresso para a China, incluindo Hong Kong e Macau, porque as companhias aéreas suspenderam vôos para esses destinos.

O serviço de correio chinês, China Post, disse que estava desinfectando correios, centros de processamento e veículos para garantir que o vírus não se espalhe pelo correio e para proteger os funcionários dos correios.

O vírus “não sobrevive por muito tempo em objetos. Portanto, é seguro receber itens postais da China”, afirmou o China Post.