Grampos e gravações telefônicas mostram por que Robinho foi condenado por estupro na Itália

MILÃO – Interceptações telefônicas e grampos realizados com o aval da Justiça italiana contra os envolvidos no caso de estupro de uma jovem albanesa, entre eles o jogador Robinho, foram cruciais para a condenação do atleta e de um amigo a nove anos de prisão. Eles foram condenados em primeira instância por violência sexual de grupo e recorrem da decisão. As informações foram obtidas pelo repórter Lucas Ferraz, do site ge.

A decisão do Tribunal de Milão é de novembro de 2017 e são contestadas pelas defesas de Robinho e de Ricardo Falco, o outro acusado. O caso aconteceu em uma boate, em Milão, em janeiro de 2013.

Além dos dois, outros quatro brasileiros teriam participado do estupro. Esses quatro acusados respondem a outro processo, em separado.

As conversas entre os acusados estão transcritas no processo que corre em segredo de justiça na Itália. Em um dos trechos, Falco e Robinho teriam dito que “ela se lembra da situação, sabe que todos transaram com ela”; “ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, estava realmente fora de si”.

Em outra conversa entre Robinho e o músico Jairo Chagas, que tocava naquela noite na boate, o jogador teria dito que estava “rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”.

Robinho fala ainda que “os caras estão na merda… Ainda bem que existe Deus porque eu nem toquei aquela garota. Vi (nome de um dos acusados) e outros foderam ela, eles vão ter problemas, eu não… Eram cinco em cima dela”, citando nome de mais dois.

Em outra conversa, Robinho diz que falaria para a polícia que estava na companhia do músico. Chagas, então, pergunta se ele transou com a vítima. Robinho diz que “não, eu tentei” e cita três nomes dos amigos que teriam transado com a menina.

O músico diz que o viu colocando o pênis na boca dela. Robinho responde: “Isso não significa transar”.

Em outros trechos, os acusados falam sobre a preocupação de alguém ter ejaculado na moça, sobre a ausência de câmeras de segurança no local (o camarim) e combinam as versões que falariam para a Justiça.