Força-tarefa volta às ruas hoje para pedir pela carteira em Massachusetts

BOSTON – A força-tarefa que defende a carteira de motorista para o imigrante indocumentado em Massachusetts volta às ruas neste sábado, 26, para mostrar a urgência de aprovar a pauta no plenário do Congresso ainda neste período legislativo.

Os manifestantes partem às 14 horas da frente do Departamento de Registro de Carros (RMV) de Haymarket, no centro de Boston, e seguem até o Palácio do Governo. Está previsto ainda uma parada em frente ao JFK, prédio que abriga o escritório do Departamento de Imigração dos Estados Unidos.

O ponto de partida, segundo os organizadores da marcha, é estratégico porque o local representa mais um obstáculo para os residentes sem status imigratório que agora também enfrentam problemas para registrar o carro no Estado.

Com a implementação em março de 2018 do novo sistema eletrônico que atende exigências para a emissão do Real ID, habilitação para dirigir que exige provas do status imigratório regular no país, a triagem da documentação é mais rigorosa.

Embora a cópia colorida da carteira de motorista internacional válida – de países que têm acordo com os EUA – sempre tenha sido obrigatória, agora não há como processar o documento fora da validade.

O Brasil, por exemplo, faz parte deste tratado, mas a maioria dos brasileiros tem a habilitação expirada. “Eu tenho a carteira de motorista do Brasil, mas já venceu há cinco anos. Assim não posso mais registrar o carro”, disse Alex durante a participação no Bom Dia Manchete, da Rádio Manchete USA.

Com o cerco se fechando contra os imigrantes sem documentos, o Ato de Mobilidade para Famílias e Trabalhadores (H.3012 / S.2061) se torna crucial para a sobrevivência diante do estreitamento do mercado de trabalho por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Muitos imigrantes tiveram que se mudar para lugares mais baratos e ficaram longe do trabalho com a crise provocada pelo surto da Covid-19. Outros enfrentam dificuldades para encontrar um emprego por causa da carência de mobilidade”, ressaltou mais de uma vez Natalícia Tracy, diretora-executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro (CTB), e que está à frente da Coalizão.

Após passar pelo Comitê Misto de Transporte no início do ano, fato inédito durante mais de 20 anos de debate sobre o projeto, o texto precisa ainda conquistar dois terços dos votos da Câmara e do Senado, de maioria democrata, para ser aprovado e garantir a anulação de um provável veto do governador republicano Charlie Baker.

O Ato chegou a ser inserido em outras propostas de lei, mas foi retirado antes da votação quando seus autores avaliaram que não teriam apoio suficiente.

As paralisações do plenário no primeiro semestre deste ano, provocadas pela pandemia da Covid-19, ampliaram a agenda do ano legislativo até dezembro (acabaria em 31 de julho), medida que gera mais uma oportunidade de o projeto da carteira de motorista ser votado.

Em uma conversa com Natalícia Tracy transmitida pelas redes sociais, a deputada Tricia Farley-Bouvier, de Pittsfield, que assina o Ato junto com Christine Barber, de Somerville, na Câmara dos Deputados, disse que estão formando um comitê no Congresso para defender a aprovação do documento.

“Acreditamos que formar um grupo vai ser mais eficiente do que apenas reunir assinaturas como co-responsáveis pelo projeto”, opinou a parlamentar.

Na MANCHETE USA, dezenas de jornalistas trabalham para levar a você as informações apuradas com mais cuidado e para cumprir sua missão de serviço público. Se quiser apoiar nosso jornalismo e ter acesso ilimitado, pode fazê-lo aqui por US$12.99 por um semestre de nossos boletins exclusivos.