Exposição demasiada ao celular durante isolamento social pode prejudicar as vistas das crianças

A médica orienta a preferir o uso de eletrônicos durante o dia

BOSTON – O isolamento social para conter o avanço do Covid-19 impôs uma nova realidade para as famílias, inclusive para as crianças que acabam ficando muito mais tempo do que as duas horas diárias recomendadas em frente às telas dos celulares e computadores, seja para conversar com os amigos ou participar das aulas à distância.

Marina, por exemplo, tem um encontro virtual com a professora e os colegas por 2h30min de segunda a sexta-feira.  Depois disso ela termina as atividades de reforço que devem ser feitas pelo computador. “Só por conta da escola, ela passa umas quatro horas diante do laptop”, conta a mãe Cláudia Santos.

Filha única, a menina de 9 anos driblou as adversidades do isolamento, encontrando uma maneira de se relacionar com os amigos através do Facetime e jogos on-line pelo celular. “Fora os vídeos que ela adora assistir. Tenho que falar a toda hora: sai do celular”, acrescenta Cláudia que continua trabalhando em tempo integral de casa.

De acordo com a Academia Americana de Pediatria (AAP), crianças com menos de dois anos de idade não devem utilizar nenhum tipo de tela.  Para aquelas abaixo de seis, uma hora é o limite aceitável. Enquanto as crianças acima de seis anos podem chegar a duas horas diárias de exposição à luz azul dos eletrônicos que, em excesso, causam fadiga e ressecamento ocular.

Além da luz azul, o esforço acomodativo – ver coisas pequeninhas muito de perto -, em movimento ou no escuro podem contribuir e acelerar doenças visuais.

A nova situação é desafiadora, mas a oftalmologista Roberta Ferraco, da Eye Focus Care, observa que é possível adotar medidas para amenizar os problemas. “Quanto maior a tela, menor o esforço visual. Então se for possível, prefira o computador ou laptop. Até o Ipad é melhor que o celular”, sugere a médica em relação às atividades escolares e jogos.

Além disso, a oftalmologista ressalta a importância de uma boa iluminação, “por isso a recomendação é evitar o uso dos eletrônicos à noite”. Outra razão para excluí-los da rotina noturna se justifica pela absorção da luz azul dificulta a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono.

Por outro lado, Roberta alerta que o músculo ocular leva até duas horas para estar preparado para começar a trabalhar. “Se a criança acorda às 10 horas, o recomendável é que ela tenha contato com as telas ao meio dia.”

Mais uma dica importante é que se o uso dos eletrônicos durante mais tempo nos próximos dias parece inevitável, a criança deve manter uma distância de pelo menos 50 centímetros das telas e dos monitores e ter duas horas de descanso entre as atividade digitais.

A boa notícia, segundo a médica, está nas conversas com os amigos no Facetime. “Elas são menos prejudiciais. Não é preciso tanto desgaste, a imagem não tem tantos detalhes como em um jogo ou vídeo”, conclui.

 

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