Cinemas inovam na pandemia e alugam telões para gamers

LOS ANGELES – A rede de cinemas americana Malco Theatres segue uma tendência mundial para sobreviver diante das restrições impostas pela pandemia do coronavírus e tem alugado suas salas para gamers desde novembro.

Baseada na cidade de Memphis, no Tennessee, a rede Malco permite que grupos de até 20 pessoas aluguem suas salas, distribuídas por 36 cinemas em seis Estados do sul dos Estados Unidos. O preço do serviço Malco Select é de US$ 100 por duas horas e US$ 150 por três.

Karen Melton, vice-presidente e diretora de marketing da Malco, diz que o sentimento é misto: “(O projeto) está ganhando tração e se tornando popular, mas nada está conseguindo aumentar nossa rentabilidade a esta altura”.

Outras cadeias americanas, como AMC e Cinemark, estão permitindo que pequenos grupos de cinéfilos aluguem salas para sessões particulares de filmes.

Berço

A ideia de trasformar cinemas em salas de jogos nasceu na Coreia do Sul. A CGV, maior rede de cinemas daquele país,  teve a ideia de alugar suas salas a gamers, de modo a criar uma nova fonte de renda.

Grupos de no máximo quatro pessoas podem alugar um telão por duas horas, ao custo de US$ 90. Se o aluguel da sala for noturno, o custo sobe para US$ 135.

Os jogadores levam de casa os consoles, controles e jogos.

A ideia veio de Seung Woo Han, funcionário da CGV, que percebeu que filmes e videogames têm suas semelhanças.

“Enquanto pensava em como dar uso às salas de cinema vazias, percebi que os games atuais têm um projeto gráfico excelente e histórias bem estruturadas, como filmes”, ele diz. “Ambos contam uma história, então se alguém pode desfrutar de um filme no cinema, achei que poderia também gostar de jogar games no cinema.”

As salas alugadas têm entre 100 e 200 assentos, vendidos por US$ 12 cada. Uma sala de 100 lugares com a metade da ocupação para um filme traria receita de US$ 600; essa quantia subiria para US$ 1.200 em uma sala de 200 lugares com 50% de seus lugares preenchidos. Tudo isso sem contar o que os cinéfilos gastariam com bebidas e pipoca.

Lucro

O lucro é pequeno, mas pelo menos representa alguma receita entrando em caixa de uma indústria arrasada pelo Covid-19.

A pandemia teve um efeito devastador sobre a indústria cinematográfica. No mundo inteiro, a venda de ingressos caiu 71%, gerando uma receita de US$ 12,4 bilhões, contra US$ 42,5 bilhões em 2019, segundo a revista especializada Variety.

Inovar

A CGV também tenta lucrar com entrega a domicílio de suas guloseimas, desde pipoca até nachos e lulas fritas.

“As pessoas que sentem saudades da nossa comida ou têm boas memórias de comer suas comidas de cinema enquanto assistem a filmes querem reviver essa experiência em casa”, diz Seon Hyeon Park, porta-voz da CGV. “Temos pipoca sabor caramelo, manjericão e cebola, duplo queijo. São diferentes das que você compra no mercado.”

Essa aposta na comida foi feita também por um cinema londrino, o Genesis, que manteve seu café aberto para os clientes que quisessem comprar para viagem.

Tyrone Walker-Hebborn, dono do cinema, diz que a pandemia tem sido desastrosa tanto para as salas quanto para a indústria cinematográfica em geral.

“É o período mais difícil que já vi nos meus 21 anos neste setor”, ele diz. “E potencialmente, pode danificar a indústria para sempre. Basicamente, não comercializamos há um ano, e acho que há poucos negócios que conseguem sobreviver a isso.”

A despeito da crise, Walker-Hebborn mantém sua confiança nas perspectivas de longo prazo. “Sou muito otimista quanto ao futuro do cinema, e não apenas acho que eles vão sobreviver à pandemia, como acredito que sejam um pilar necessário da comunidade para as pessoas se curarem da pandemia. No geral, acho que vai voltar a ser como era antes da pandemia, mas vai levar (todo o ano de) 2021 para isso.”

Nos EUA, a AMC precisou levantar US$ 917 milhões para afastar ao menos temporariamente a possibilidade de decretar falência. Enquanto isso, no Reino Unido, cineastas instaram o governo a oferecer apoio financeiro às redes de cinema, para impedir que tenham de fechar suas portas.

 

* Com Agências