Brasileira passa dois meses presa pelo ICE para evitar facção criminosa no Brasil

Presídio de segurança máxima de Concord

BOSTON – A brasileira Gisele Dias, de 32 anos, passou pelo menos um terço do período de confinamento imposto para conter a disseminação da Covid-19 detida em prisões de Massachusetts e Nova York, esperando a oportunidade de ser admitida nos Estados Unidos para onde veio em busca de asilo fugindo da perseguição a seu marido, um ex-policial que sofreu ameaças do PCC – Primeiro Comando da Capital.

Gisele desembarcou em Boston no dia 8 de fevereiro deste ano e foi detida na entrevista com o oficial de imigração ainda no aeroporto Logan. Sem dinheiro, com a filha de seis anos ao lado, a mineira de Governador Valadares chamou a atenção dos agentes que queriam seu embarque no primeiro voo de volta ao Brasil. Ela não aceitou.

No saguão do aeroporto o marido – que havia vindo antes para os Estados Unidos – esperava para reunir novamente a família, mas apenas a filha lhe foi entregue. Gisele foi levada para o presídio de Concord e 24 horas após a prisão foi entrevistada por oficiais do ICE, assinando um documento que a deportaria voluntariamente.

De volta ao aeroporto para o embarque ao Brasil, Gisele desmaiou no banheiro sendo levada para um hospital e, mais tarde, de volta ao presídio. Ela foi atendida por uma psicóloga que recomendou ao agente do ICE para não deportá-la.

Nesse período inferior a 48 horas, o marido precisava encontrar um advogado que reunisse dois requisitos fundamentais: competência e preço baixo. O escritório de Stephen Bandar assumiu o caso e já a acompanhou em uma nova entrevista, cancelando a carta de deportação voluntária assinada pela brasileira que ainda ficou mais um mês presa em Massachusetts antes de ser enviada para um presídio em Nova York.

“Em Massachusetts foi a pior coisa do mundo. Ficava trancada na cela o dia inteiro. Em Nova York a gente fica presa mas com liberdade de ir ao médico, por exemplo, e de usar o telefone (o telefonema exige depósitos em dinheiro numa conta pessoal do preso)”, conta.

Ela argumenta que sofre de crise de ansiedade e na prisão chegou a ficar dois dias inteiros sem conseguir comer. “Eu desmaiei umas duas vezes porque sofro de labirintite. E quando nervosa o problema me ataca. Da mesma forma que aconteceu quando cheguei e iam me deportar e caí dentro do banheiro do aeroporto.”

“Eles (carcereiros) pegaram meu remédio para a labirintite e não me deram novamente. Tive crises constantes na cadeia. Até em Burlington no escritório do ICE eu desmaiei durante uma entrevista.”

Gisele ficou presa em Nova York até o dia 16 de abril quando sua liberação saiu através do pedido de asilo impetrado por Bandar.

“Me deixaram na rodoviária de Nova York apenas com a roupa do corpo. E naquele horário já não tinha mais nenhum ônibus para Boston”, explica. “A minha sorte foi que a assistente do Stephen Bandar, Marinalva Harris, ficou me ajudando por telefone e assim consegui um lugar calmo para passar o dia e comer na cidade.” Enquanto isso o marido contratava um carro de aplicativo para fazer a viagem e buscar a esposa.

Morando em Fall River, Gisele tem audiência marcada para outubro. “Nós precisamos ficar no país. Foi isso que falei ao ICE e mesmo passando por diversos problemas de saúde eu resisti porque pior seria encarar o PCC.”

PCC

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma organização criminosa do Brasil conhecida por comandar rebeliões, assaltos, sequestros, narcotráfico e assassinatos. Estima-se que a facção reúna mais de 30 mil membros no país.

Segundo a polícia, a organização é financiada principalmente pela venda de drogas, faturando mais de R$ 120 milhões por ano (aproximadamente US$ 23 milhões).

SERVIÇO

Escritório de Advocacia Stephen Bandar  – 617-992-1575

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