Garçonete brasileira salva menino de 11 anos de tortura na Flórida

Flaviane Carvalho durante entrevista coletiva (Foto: Divulgação)

ORLANDO – A coragem de uma garçonete brasileira de Orlando, na Flórida, salvou a vida de um menino de 11 anos que era constantemente torturado em casa, afirmou a polícia em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 14.

Ao lado dos policiais, Flaviane Carvalho contou que estava trabalhando na noite do dia 1 de janeiro no restaurante Mrs. Potato quando lhe chamou a atenção que apenas um garoto não havia recebido a refeição em uma mesa de quatro pessoas.

Ela, que é gerente do local e cobria a ausência de um outro funcionário, questionou se havia algo de errado com a comida e o padrasto, Timothy Wilson II, disse que a criança “ia comer mais tarde em casa”.

Embora o menino estivesse usando capuz, máscaras, óculos e mangas compridas, Flaviane conseguiu visualizar hematomas em seu rosto e punhos.

“Eu não podia ver o menino ir embora sem ajudá-lo”, disse.

Flaviane, que tem uma filha de 18 anos, conseguiu se comunicar com a vítima através de um cartaz que perguntava se ele precisava de ajuda. Ela se posicionou em um lugar que só o menino conseguia vê-la.

Assim que o garoto acenou quem sim, a brasileira ligou para a polícia.

Com a chegada das autoridades, a vítima disse que os machucados eram resultados de acidentes, mas depois contou que sofria abusos.

O padrasto foi preso na hora e a mãe, Kristen Swann,  dias depois ao admitir que sabia dos atos de violência.

Waitress saved tortured child, 11, from abusers by getting him to secretly signal for help | Metro News

A princípio, Wilson foi detido por abuso infantil de terceiro grau. Cinco dias depois, ele foi indiciado por várias acusações de abuso de menor agravado e negligência infantil.

Já a mãe responde por duas acusações de negligência infantil.

O garoto e a filha do casal, de 4 anos, que estava no restaurante no dia do incidente, estão sob custódia do Departamento de Menores e Famílias da Flórida.

Tortura

O relato da vítima revela uma rotina de tortura.

Como castigo, o menino que está abaixo do peso, frequentemente era deixado sem comer.

Além disso, a vítima tinha as mãos e pés amarrados e era pendurada de cabeça para baixo na porta.

Ao falhar na série de flexões por 30 minutos, o menino de 11 anos apanhava, às vezes de vassoura.

A detetive da Unidade de Vítimas Especiais, Erin Lawler, se emocionou durante a coletiva e afirmou que a brasileira salvou a vida da criança.  “Se a senhora Carvalho não tivesse agido, provavelmente esse menino não estaria conosco por muito tempo”.