Carteira de motorista em Massachusetts sofre revés mas ainda pode ir a plenário

“Não podemos esperar! Se não for agora, quando?”, questionou Natalícia Tracy durante entrevista coletiva na quarta-feira (Foto: Divulgação)

BOSTON – O Senado de Massachusetts subtraiu o texto do projeto de lei que prevê a carteira de habilitação para o imigrante indocumentado do Pacote de Desenvolvimento Econômico no último minuto, mantendo mais de 70 mil motoristas no limbo. Mas ativistas permanecem na luta e vão buscar a aprovação no plenário.

Na reta final das deliberações parlamentares nesta quarta-feira, 29, o senador Brendan Crighton, de Lynn, retirou a emenda que seria a segunda a ser votada na ordem do dia. O democrata, que é o responsável pela proposta no Senado, teria seguido a orientação da presidente da Casa e sua colega de partido, Karen Spilka, de Framingham.

Para os legisladores, o  Ato de Mobilidade para Famílias e Trabalhadores (H.3012 / S.2061) tem mais chances de ser aprovado se for discutido na íntegra. Isso ainda vai ser possível porque o ano legislativo,  que acabaria nesta sexta-feira (31), foi estendido até o fim de outubro.

A manobra para evitar a rejeição já havia sido adotada na Câmara dos Deputados na segunda-feira (27) por não ter votos suficientes, mas desta vez a coalizão que coordena a campanha para aprovar a legislação discordou da estratégia.

“Eles falam que apoiam a proposta, mas na hora de votar dizem que não têm votos suficientes”, destacou a diretora executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro, Natalícia Tracy, em entrevista ao Bom Dia Manchete. “Queremos saber qual é a verdadeira posição dos parlamentares”.

A brasileira,  que é uma das presidentes da Coalizão Driving Families Forward, afirma que eles contavam com 27 votos no Senado, seis a mais do que era necessário.

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Natalícia cobra que os congressistas assumam a responsabilidade sobre as suas escolhas políticas. “Eles têm medo que os anti-imigrantes os levem a perder o assento no Congresso”, avaliou a ativista há menos de dois meses das primárias em Massachusetts, quando muitos tentam a reeleição.

Projeto na íntegra

Com o fracasso da tentativa de inserir o texto como emenda de outros pacotes legislativos maiores, os ativistas voltam à estratégia incial e se concentram em levar o Ato de Mobilidade para Famílias e Trabalhadores (H.3012 / S.2061), que segue no Comitê do Orçamento no Senado há quase seis meses, para votação em plenário.

A proposta de lei, apresentada pelo senador Brendan Crighton, de Lynn, e pelas deputadas Christine Barber, de Somerville, e Tricia Farley-Bouvier, de Pittsfield, é mais uma versão do texto que tramita há quase duas décadas no Congresso e sempre era barrado no Comitê Misto de Transporte.

Para Natalícia, a campanha já foi muito longe e a batalha perdida nesta quarta-feira (29) deve servir como um impulso para fortalecer a lutar. “Temos que pressionar os legisladores ainda mais, principalmente os líderes da Assembléia Legislativa[no Senado, Karen Spilka; na Câmara dos Deputados, Robert DeLeo]”.

As estimativas da Coalizão Driving Families Forward é de que entre 41 mil a 78 mil motoristas vão se qualificar para a licença dentro de três anos e, segundo Natalícia, os brasileiros são, entre as 15 nacionalidades que podem ser beneficiadas, os que mais precisam da carteira de motorista.

A ativista salienta que a pressão popular é o viés da balança e lamenta a ausência dos brasileiros na campanha.

Na quarta-feira, uma coletiva de imprensa em frente ao Palácio do Governo marcou o fim de um acampamento de 13 dias para pressionar a aprovação da legislação que pode gerar até US$ 5,8 milhões apenas nas taxas iniciais do Departamento de Veículos a Motor de Massachusetts (RMV).

“Quase não tinha brasileiros. Precisamos nos envolver mais, mostrar que estamos interessados. Ser mais fortes que os anti-imigrantes”, finalizou.

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